INTRÓITO

Subverter, Exorcizar, Viver, Beijar, Amar, Odiar, Saber, Piratear, Analisar, Mover, Parar, Rejuvenescer, Envelhecer... Tudo isso e nada. Petit Subversion é só um diário de alguém comum - de Anatólia... um fantasma.
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terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Sub omnī lapĭdĕ scorpiō dormit:


Não sai uma palavra de mim sem sentir ad unum
á la diable...
Não consigo conjecturar um só verbo.
Coração palpitante in integrum – regenerae.
In mente coragem, vontade.
Piedade ó phatos!
Essas coisas existem e nos comem,
minam a vida de forma indestrutível.
Quem é?
È um daimon travestido e sedutor!
De profundis clamo...
Detestabilis são aqueles que não desfrutam os prazeres da vida...
Não se deixam possuir pelo desejo.
Afrodite Infiel me toma e me come,
então, me torno volúvel.
Piedade ó phatos!
Liberta-me dos braços febris,
e da voz dentro de minha cabeça –
voz deste demoniozinho da paixão.
Corro o risco de não mais estar em mim...
Sem verbo, sem palavra...
Piedade é tudo que peço.
Desideratum!
Sedes delicada...
E toque-me com tuas palavras
um toque... Um toque
e me deixo possuir
pelo suave labor de Afrodite.
(Da mi multă basiă)

16.02.2010

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Você me come?


Um sabor me toma
Tomo do sabor alguma coisa desconhecida
Porque insisto em trazer-te para dentro como um alimento?
Como do teu sabor que não sei provar.

Comer as cores da vida
Rubra...
Meto-a para dentro
E sinto a vida correr em mim.

Engolir a angústia de ter teus beijos
Corpo sem espaço...
Onde é o lugar de te encontrar?
Como posso comer o que não vejo
Poderia me envenenar.

Não tem espaço, não tem corpo.
Ainda assim, ela me come todos os dias...
Entrego-me passiva, embora insista repetir minha atividade.
E mais ela me come.

Desejo ardente de apossar-se do desconhecido
Que sabor estranho deste estranho inominável.
Meto-a para dentro
Engolindo úmida o sabor do feminino.
Sim, é sabor feminino.

Mulher que come mulher se mortifica
E tem assento seguro ao lado dos que não tem corpo.
Tenho consciência de que como a própria carne divina.

A. A.
07.02.10

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

A mùsica do Faminto


A música do faminto é escutar murmúrios que não são seus,
Mas de sua própria alma álacre.
É ouvir sussurros que não provocou;
Além dos gemidos perturbadores vindos de longe
A música do faminto é sentir um gozo que não é seu
Faz o outro gozar e passa fome
Satisfaz sua ânsia olhando a boca lambuzada do outro
A música do faminto e cantar canções de outros
A música do faminto são aspersões
Às vezes come ar,
Noutras, come e bebe nada,
Por isso é faminto.
O faminto despreza o que tem
E o que não tem, faz de música a imaginação à flor da pele.

Anatólia Akkale
18.01.2010 (que data horrenda)

domingo, 8 de março de 2009

A uma dama que macheava outras mulheres


(...) De acordo com o Antropólogo Luiz Mott a mais antiga página literária escrita no Brasil, e certamente também a primeira em todas as Américas, a referir-se explicitamente aos amores lésbicos, é de autoria do baiano Gregório de Matos Guerra – popularmente conhecido como Boca do Inferno (1636-1695).

Boca do Inferno dedicou um poema a uma mulher chamada Nise que traz o título “A uma dama que macheava outras mulheres”. O verbo machear não consta nos dicionários antigos. No Aurélio consigna-se o verbo como “cópula do macho com a fêmea”. E foi, justamente, neste sentido que o poeta empregou o verbo, tanto que no mote introdutório completa:


“Nomorei-me sem saber, esse vício a que te vás, que a homem nenhum te dás, e tomas toda mulher”.


Eis o poema completo:



A uma dama que macheava outras mulheres

1
Fostes tão presta em matar-me, Nise, que não sei dizer-te,
Se em mim foi primeiro o ver-te, do que em ti o contentar-me
Sendo força o namorar-me, com tal pessoa hove de ser,
que importando-me aprender a querer, e namorar,
por mais me não dilatar namorei-me sem saber.

2
A saber como te amara, menos mal me acontecera,
pois se mais te comprendera, tanto menos te adorara:
a vista nunca repara, no que de dentro d’alma jaz,
e pois tão louca te traz que só por Damas suspiras,
não te amara, se tu viras, esse vício a que te vás.

3
Se por Damas me aborreces absorta em suas belezas,
a tua como a desprezas, se é maior que as que apeteces?
Se a ti mesma te quisesses, querendo, o que a mim ma praz,
seria eu contente assaz, mas como serei contente,
se por mulheres se sente, que a homem nenhum te dás?

4
Que rendidos homens queres, que por amores te domem?
Se és mulher não para homens, e és homem para mulheres?
Qual homem, ó Nise, inferes, que possa senão eu ter
valor para te querer? Se por amor nem por arte
de nenhum deixas tomar-te, e tomas toda mulher!

- Gregório de Matos Guerra -

sábado, 14 de fevereiro de 2009

A Criação da Mulher

Forma então Jupter nova criatura,
De Vênus, bela, fiel pintura.
Ah! são seus beiços, fontes de vida,
Em neve pura, romã partida,
Carne mimosa que a vista enleva
Onde o desejo em vão se ceva.
As alvas tetas de marfim puro
Ah! são mais rijas que cristal duro!
- Américo Elísio -

sábado, 1 de novembro de 2008

Deus existe?

Quando acendo uma lâmpada geralmente surge um louva-a-deus.

sábado, 5 de julho de 2008

Palavra Esquisita - Telma Scherer

“odeio”, palavra esquisita
esquece o sentido
logo após dita

“onda”, palavra bonita
enche a boca de calma
mesmo na noite aflita

“ovo”, palavra redonda
engulo-a devagar
como fosse uma onda

Telma Scherer

LAPSO COCACÓLICO

“É impossível o lapso cocacólico. Quando alguém diria: como é mesmo o nome daquele refrigerante... aquele preto, parecido com a Pepsi? Nunca! Seria imperdoável. Você pode esquecer a luz acessa, a idade do seu pai, o que era mesmo... Tudo é aceitável, mas o lapso cocacólico está em extinção.”
(Michel Melamed – Revista Trip, cd CEP 20000)

domingo, 22 de junho de 2008

Imagem dos olhos eu leio a tua Alma

teus olhos
entortam minha alma
verdes como as árvores,
floridos como as patas-de-vaca
e narcisistas como os eucaliptos

teus olhos grudaram nos meus
e vazaram minha alma
- vá com calma
e desgrude-os com os seios
- sei o quanto estão guardados

são teus olhos mal amados?

domingo, 8 de junho de 2008

Before Dawn - Swinburne:


“Ah, uma coisa vale o início,
Um fio na vida vale o ato de fiar,
Ah, doçura, uma transgressão vale o pecado
Com todo o desejo da alma;
Para te acalmar até que alguém te aquiete,
Para te beijar até que alguém te mate,
Para te nutrir até que alguém te preencha,
Lábios doces, se o amor puder preencher;

Para sentir a alma forte, debilitada
Por energias carnais, acelerada
Sob suspiros rápidos que se adensam,
Mãos macias e lábios que punem;
Lábios que nenhum amor pode cansar,
Com mãos que ardem como fogo,
Urdindo a trama do desejo
Para aprisionar a Alegria do pássaro.

Assim, seja o que for, que seja;
Pois quem vai viver e escapar disso?
Mas cuide para que nenhum homem o veja
Ou ouça sem consciência;
Para que todos que o amem e o escolham
Vejam o amor, e por isso o recusem;
Pois todos que o encontram o perdem,
Mas todos o encontram belo.”

- Algernon Charles Swinburne –

domingo, 1 de junho de 2008

PAPEL CARBONO

... Porque a lápis some antes!
Talvez seja, talvez queira ser de carvão
Carvão é leve!
Mas não me sinto leve
Me sinto pobre
E pobre parece pesado:
Não tem nada e carrega tudo!
Carrega mais! Sempre tem algo mais sobre os ombros!
As costas, o peito, a cabeça, os braços, as pernas, o coração...
Pobre cheira a carvão, a fumaça
Estou fedendo e desaprendi sentir bons aromas!
Coração de carbono, carvão...
Dor nas costas, na cabeça, pernas e braços...
E o golpe final: dor na alma!
Ébano: lata-de-coca-cola!

05/08/2003
K. Líope

domingo, 18 de maio de 2008

Fotografia da memória

Maçãs empilhadas
Encontraram uma boca
Maçãs digeridas.


Gotas de orvalho
Vem o sol
Seca a lágrima.

Gota de orvalho
Ponta de choro
Logo vem o sol.

Horizonte vermelho
Logo o escuro
Morcegos guinchando.

A terra vomita
Lava quente
Ninguém tem nojo.

domingo, 11 de maio de 2008

O que temos na cabeça?

.... Ainda sobre o que temos na cabeça...
Seriam galos?
Roda-moinhos?
ou seriam mesmo
ninhos de passarinho?
Eu tenho um grilo.
Já falei?

sábado, 10 de maio de 2008

Cabeça de Passarinho


Seria esse o nosso buraco faltoso?
Onde os pássaros fazem ninhos...
Bem que ouço assobios quando escuto as cabeças que me cercam. (E as cabeças que passam)
Uns fazem melodias,
Outros fazem sons horripilantes.
Gosto daqueles que tem coruja...
Ihhh, mas coruja faz toca,
Então o buraco é mais embaixo.
Eu não tenho pássaro (acho)
Eu tenho um grilo na cabeça.

RICARDO SILVESTRIN - Poesia


Neste fim de semana tive o prazer de participar de um evento promovido pelo SESC/RS – Encontros Literários. O prazer maior foi ouvir a fala de Ricardo Silvestrin, poeta gaúcho. Muito bacana – Perpassamos pela literatura até o haicai. O poeta Silvestrin é uma mistura de erudito com Rock end roll – Sutil direto e agridoce. Silvestrin é inspirador no mínimo... Que mais dizer, virei fã. Ele fala de poesia como um escultor. “Literatura não é política, nem história, nem ideologia – literatura é arte com a palavra! E arte é uma experiência ritual.” (Obrigado ao Larry pelo convite, sem isso não teria desfrutado).


Uma concepção leiga do amor.
Tesão
é febre,
a fúria do corpo,
pedagogia da expressão.
Previsões para hoje:
aventuras,
ofertas,
andar po aí,
abraçar e acariciar todas as pessoas.
Vida íntima:
onde termina avagina?
o que mantém úmida a vagina?
Uma relação madura e equilibrada,
o último homem,
perfil de um gigante.
Orgasmo da mulher:
a estupenda noite de catch-as-catch-can.
Frases.
Cigarro.
Sexualidade:
o único pecado que existe.
Aqui pra vocês, ó!

- Ricardo Silvestrin -


banco da praça
os seios
e os receios da namorada
...................
instante do passarinho
fui olhar
fiquei sozinho

terça-feira, 6 de maio de 2008

Conversa de Cemitério

- Oi vizinho, como vai???
- Ohhh, em excelente estado de putrefação!!!

_ Mário Quintana _

As Máximas mínimas, são as melhores "eiróneías" da vida, algo mora aí.

domingo, 4 de maio de 2008

Deus é Gay

(Desenho: Tom da Finlândia)

Poesia: By Tom de Minas

Deus chama-se Rimbaud e se mandou pra Abissínia.
Deus chama-se Pasolini e morreu a pauladas.
Deus chama-se Andy Warhol e seu anjo, Joe Dalessandro.
Deus chama-se Tenesse e viaja num Bonde Chamado Desejo.
Deus chama-se Caio Fernando e foi pro céu cultivar Morangos Mofados.
Deus faz filme pornô e se diverte.
Deus é um tesão.
Judas é namorado de Deus e Madalena, sua puta amante!
Deus beija-me com hálito de vinho e sangue.
Deus canta em inglês e italiano e de vez em quando em Russo.
Deus é michê após as três da madrugada.
Deus dá duro pra sobreviver.
Deus é Leonardo e pinta Lisa, a Mona dissimulada.
Deus amanhece de ressaca comigo.
Deus é masoquista, lava-pés e morre crucificado.
Deus apanha como um condenado.
Deus abençoa os beijos de Davi e Jônatas.
Deus é míope, usa óculos, mas enxerga muito bem.
Deus é transformista.
Deus goza em nimbos e cirros.
Os trovões são gemidos de prazer de Deus.
Deus oferece a face para beijos e bofetadas.
Eu como do corpo de Deus.
Deus é Lês.
Deus tem cara de Sal Mineo.
Deus chama-se James Dean e morreu num acidente de automóvel.
Deus chama-se Greta garbo e quer ficar sozinho.
Deus beija de língua.
Deus convidou Leonard Bernstein para compor uma sinfonia.
Deus é um suculento Mapplethorpe de chifres.
Mas Deus não é torpe.
Deus é fashion.
Deus é drag.
Deus é king.

domingo, 2 de março de 2008

IDÍLIO LÉSBICO: OS AMORES FEMININOS


“... O suor desce-me em rios pelo corpo, um tremor se apodera de todos os meus membros e, mais lívida que a outonal folhagem, estorcendo-me nas dores da agonia, desfaleço perdida no êxtase do amor.” (Safo de Lesbos)

Velhos assuntos... novas nuances...sempre é bom retomá-los, pois há quem ainda não sabe e o quer saber, viver, sentir ‘as vias de fato’ ... De qualquer forma, esta abordagem é singular e pretende ser inspiradora... A partir deste momento faça de conta que teu olhar é o de Safo e ... deixe-se levar pela emoção...!!
Falarei dos amores femininos, de Safo, de onde surgiu o termo ‘lésbica’ e com isso, misturar um pouco de poesia, mulheres e vinho ...

Safo, a célebre “poetisa” da antiga Grécia, nasceu por volta do ano de 612, na ilha de Lesbos. De formato triangular, a ilha, situada no mar Egeu, era rival dos centros Jônios em riqueza, refinamento e gênio literário. Era tida como o verdadeiro Éden perdido entre pomares e vinhas. O vinho era tão famoso em Lesbos quanto a poesia... Nossa poetisa, uma ardente adepta do idílio lésbico, inspira o amor entre mulheres a ser chamado ‘amor Lésbico’. Portanto, o termo ‘lésbica’, vem de Lesbos, o paraíso natural de Safo.

O nome ‘Safo’ significa ‘voz cristalina’ou ‘brilhante’. Na verdade, tratava-se de uma mulher brilhante, pois seus poemas se tornaram célebres em todo o mundo. Mesmo em sua época (tempo do sexo rei – sociedade ativamente masculina) toda a Grécia erguia hosanas a Safo. Sócrates deu a ela o título de “A Bela” e Platão dedicou-lhe um epigrama: “Há quem afirme serem nove as Musas. Que erro! Pois não vêem que Safo de Lesbos é a Décima?”

“Safo era maravilhosa”, diz Estrabão, “pois em todos os tempos de que temos conhecimento não sei de outra mulher que a ela se tenha comparado, ainda que de leve, em matéria de talento poético.” Em todo mundo grego, Safo, era tida como “a Poetisa”. Com seus dezenove anos apenas, ela começou a tomar parte na vida pública através da política e da poesia. Não era tida como um referencial de beleza: pequena de estatura e frágil de porte, seus olhos e cabelos eram mais negros do que o desejariam os gregos. Mas possuía o encanto da elegância, da delicadeza e do refinamento e um espírito brilhante. Sabe-se, pelos seus versos, que era de temperamento apaixonado e suas palavras, diz Plutarco, “vinham misturadas com chamas.” Um certo sensualismo dava corpo aos entusiasmos de seu espírito. Deveria ser uma mulher muito sedutora...

Entre exílios e retornos, poesia e vinho, Safo casou-se com um rico mercador de Andros, de quem, mais tarde, herdou toda a fortuna do esposo prematuramente falecido e do qual teve uma filha chamada Cleis. Após cinco anos de exílio voltou a Lesbos, onde se tornou a líder da sociedade e do mundo intelectual da ilha. Sedenta de atividade abrira uma escola para moças, às quais ensinava poesia, música e dança. Foi essa a primeira “escola de aperfeiçoamento” da história. Safo chamava suas discípulas não de alunas, mas de hetairai – companheiras (a palavra tomou outro significado com o tempo – amantes). Em sua viuvez apaixonou-se sucessivamente por todas as discípulas. Em um dos seus fragmentos ela diz: “O amor sacudiu-me o espírito como a ventania que passa e abala os grandes carvalhos”.

Entre seus amores encontramos uma de suas discípulas – a favorita – Átis, para quem entoou versos: “Amei-te, Átis, há muitos anos... quando minha mocidade estava ainda em flor, e tu me parecias tímida e ingênua criança”. Este amor, ao que tudo indica foi correspondido, porém, inesperadamente, Átis, aceitou as atenções de um rapaz e Safo sofreu arduamente de ciúmes e um amargor tomou conta de seu coração, quando os pais de Átis retiraram-na da escola. A separação significou uma mortificação para Safo, traduzido neste fragmento: “Nunca mais hei de rever Átis e seria bem melhor para mim se tivesse morrido.” Esta sem dúvida é a autêntica voz do amor, atingindo culminâncias de sinceridade e beleza para além do bem e do mal. Os críticos, até hoje, travam debates para decidir se os poemas sáficos seriam expressões do “amor lésbico” ou simplesmente divagações poéticas e impessoais – o que sei é que são belíssimos. Com ela, a poesia se faz carne e sangue ... brota do próprio corpo. Safo resgatou a mulher do trabalho, do lar, da sua condição de mera procriadora, único lugar que os homens lha reconheciam com legitimidade, ao lado dos escravos. Mostrou as ternuras do coração, dos quais os homens, por desatenção, estavam excluídos.

No ano de 1073 da nossa era, a poesia de Safo foi queimada publicamente pelas autoridades eclesiásticas de Constantinopla e Roma. Curiosamente em 1897 descobriram no Oxirinco, em Faio, caixões funerários feitos de papel-machè (papier-maché) para cuja fabricação haviam sido aproveitadas páginas de livros antigos; entre estas encontravam-se alguns poemas de Safo.

É impossível falar do amor lésbico sem falar de Safo e de sua poesia. Parece estar intrinsecamente ligado o fator ‘poesia’ e o ‘amor’ que as mulheres nutrem por outras mulheres. Seria então, o doce enlace de dois corpos femininos, uma poesia de natural beleza ou um agridoce pecado dos Deuses?!

O Lesbianismo (ou como quer que chamassem) também esteve presente em Roma.
Nos estabelecimentos de banhos, as mulheres se entregavam para o prazer. Conta a história, que existiam escravas especialmente treinadas no amor lésbico – as chamadas fellators. Um nome se eternizou – Bassa, a célebre lésbica romana. Há um provérbio ou ‘dito’ contemporâneo que assim descreveu Bassa: “Ousais unir duas vulvas e, através do simulacro de amor, substituir o homem ausente. Lograis um milagre tão espantoso quanto o mistério tebano: cometer adultério sem a participação do homem”. Dos prazeres romanos, o que temos, o que sabemos ... nada nos faz estranhar, assombrar, acredito, basta assistirmos ao filme Calígula, para entendermos a sede romana. Então, o amor entre as mulheres de Roma, possivelmente, não foi tão belo quanto em Lesbos ... Talvez, nem tenha sido, propriamente, amor – mas desejo... Mesmo assim, neste contexto, não cabem censuras ... todos os espaços são ocupados por Eros!!!

O providencial desfecho faço com as palavras da poetisa Safo. Na verdade, uma carta de amor:

“Muito ela (Átis) chorou ao ter de deixar-me e disse: ‘Oh, como é triste a nossa sorte! Safo, juro que se te abandono, faço-o contra minha vontade’. E eu respondi: ‘Vai e sê feliz, mas lembra-te de mim, pois sabes o quão doidamente te amo. E se vieres a esquecer-me, oh, então hei de lembrar-te o que esqueceste – a vida adorável e cheia de encanto que juntas vivemos. Pois com muitas guirlandas tecidas de violetas e perfumadas rosas adornaste, ao meu lado, tuas esvoaçantes madeixas; e muitos foram os colares feitos de mil flores com que envolveste teu formoso pescoço; e quantas vezes em meu regaço untaste teu corpo jovem e belo, com óleos raros e preciosos. E não havia monte, lugar sagrado ou regato, que juntas não visitássemos; e jamais primavera alguma encheu os bosques de doces rumores ou do melodioso canto dos rouxinóis, sem que nós estivéssemos presentes’”.

Sugestão de leitura: Literatura Grega – Donaldo Schüler.

Boa Leitura. Anatólia Akkale.

sábado, 1 de março de 2008

Desassossego...


Possuir é perder. Sentir sem possuir é guardar, porque é extrair de uma coisa a sua ausência.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Bellicu Et Bellu


Fanny e Emma,
quando moças fabricavam armas bélicas
numa fábrica da Alemanha e outra na Bélgica.
Em casa, lavavam roupa.
Emma tinha um filho – todos os dias fazia seu banho.
Elas faziam sexo sem amor com seus maridos.
Fanny veio para a Alemanha e conheceu Emma...
Uma loura muito bela.
Em punho de um rifle, ficava lubricamente bélica.
Uma destas moças beijou a outra moça – na boca.
A ânsia muda envolveu seus corpos.
Emma apaixonou-se pelos seios da outra – eram
pomos tão bem desenhados que pareciam granadas
prontas para explodir em luxúria leitosa,
amamentando os lábios da boca – os bicos
encaixando-se no bico da boca.
Percebe que armas poderosas?
O marido de uma das moças bateu na pobre...
No outro dia ela foi à fábrica,
pegou um martelo e uma bala tão pesada e
grossa como suas duas coxas juntas...
Ascendeu um cigarro e bateu – bem na ponta.
Ouviu-se um ruído no quarteirão – bombástico...
Belas armas fabricam as mulheres.
Belas mulheres fabricam uma guerra.

Fanny e Emma desencadearam a Segunda Guerra.


K. Líope – 2003 ?